Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

XIX - És mesmo tu?!

Tento falar, mas a minha boca parece não conseguir emitir qualquer som.
Tenho medo!
É então que ouço vozes… mas não consigo entender o que dizem.
Porquê?
Que se passa?
Sinto-me tão sozinha…
Tem sido uma constante, este sentimento, desde que me apercebi da minha existência.
Sinto novamente as mãos daquela pessoa desconhecida.
Abro os olhos e volto a conseguir enxergar.
Observo aquelas mãos e qual é o espanto quando me apercebo de que, ao meu lado… estendido… estás… TU?!
ÉS TU?!
Mas como?
Meu Deus!
És TU!
Aquelas mãos…
Aquele rosto…
Aqueles olhos…
Aqueles lábios…
Aquele ser…
És mesmo tu?!
Abraço-te, mas tu… retrai-te!
Retrais-te?!
Porque te retrais?
Não me reconheces?
Não me vês?
Não me sentes?
Mas…
Eu pensava que tinhas desaparecido.
Porque onde andaste?
Que fizeste?
Porque te afastaste de mim?
Depois… Tu sabes!... Depois do que aconteceu entre nós…
Tive tantas saudades tuas!
Tantas!
Mas…
Porque me olhas assim?
Não me reconheces?
É tão triste saber que amamos uma pessoa e essa mesma pessoa nem sequer nos… reconhece?!
É tão estranho!
Depois de tudo o que passámos… sentimos juntos…
Não me faças isto!
Não me obrigues a sentir isto… a tua indiferença…
NÃO!
É mau demais para ser verdade… mau demais!
v
Olho para ti e tento perceber as tuas feições.
Procuro um sinal que me faça entender o que se passa, mas não consigo.
Tu olhas para mim como se eu fosse um ser estranho ao teu olhar.
Observas curioso cada expressão e comportamento meu.
Porque reages assim?
Achas que sou um ser estranho?
Que te aconteceu?
Desapareceste e eu nunca mais te vi!
Tu estás diferente!
És diferente!
Estendido a meu lado não reages.
Tento falar-te, mas tu não reages.
Tento tocar-te, mas NADA!
QUERO PERCEBER O QUE SE PASSA!

Terça-feira, Outubro 24, 2006

XVIII Porque não me responde?

Abro os meus olhos, mas não vejo nada.

Assustada tento procurar uma luz.

Não consigo sequer ter a certeza de ter aberto os olhos.

Estarei cega?

Meu Deus!

Que se passa comigo?

Onde estou?

SOCORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Desesperada grito, mas ninguém me responde.

Porque ninguém me responde?!

Estarei sozinha?

Estou desesperada!

v

Tento levantar-me e apalpando tudo à minha volto tento encontrar algo que me console e que me ajude a encontrar uma luz, um sinal… qualquer coisa!

De repente toco em algo que me faz recuar…

Sinto uma mão…

Uma mão?!

Sinto uma mão forte que agarra a minha de forma segura e protectora.

Sinto-me bem, mas tenho medo.

Quem és tu? – Pergunto.

Mas não me responde.

Porque não me responde?

Não perceberá o que digo?

Não me ouvirá?

Meu Deus!

Preciso de um sinal!

v

É então que essa mão forte me faz erguer, me leva e eu obedeço sem pensar.

Não sei para onde vou nem onde estou, mas deixo-me levar.

Algo me faz confiar nesta pessoa.

Quem és? – Pergunto.

Sei que não me responde, mas… não desisto!

Nem sequer me consigo aperceber se é de um homem ou de uma mulher. Parece rude, mas ao mesmo tempo é suave.

Parámos.

A mão faz-me sentar num sofá e larga-me.

Por momentos senti-me insegura.

Não queria que me largasse.

Não me deixes! – Supliquei em vão.

Onde vais? – Pergunto mais uma vez sem obter resposta.

É então que me surge outra questão. Será que estou surda?

Mas eu ouvi a minha voz!

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

XVII Serei humana?

No meio das minhas lágrimas, absorvida na minha dor, mal me apercebi que estava a ser observada por entre a ranhura, quando, de repente, abrem e porta.

Entram pelo quarto adentro três homens e a tal mulher completamente fardados de branco e com máscaras de plástico.

Assustada, grito e esperneio.

Desatam-me e, agarrada pelos três homens, a mulher espeta-me uma agulha numa veia do meu braço direito.

Sem conseguir dizer nada, adormeço.

v

Acordo.

Sem reconhecer o local onde estou, olho à minha volta e começo a barafustar.

Sei que me estão a observar!Grito. – Porquê? O que é que eu fiz? Porque não me respondem?

Mas ninguém responde.

Olho para o tecto e reparo que estou a ser filmada.

Observo a sala.

Estou rodeada de três paredes brancas e um espelho enorme a formar outra. Olho para o espelho e assusto-me.

Observo-me e o que vejo não me agrada.

Quem sou eu?

O que sou eu?

Observo o meu rosto e vejo que os meus olhos perderam o seu brilho e a sua cor natural tornou-se negra.

A minha cara é pálida e perdi a minha cabeleira natural. Estou completamente careca, não tenho pestanas nem sobrancelhas.

Continuo com a forma natural de uma mulher, mas reparo que não tenho qualquer tipo de pêlos. Todas as minhas zonas capilares parecem ter sido rapadas, mas os pêlos parecem não crescer... NÃO EXISTEM!

Sou perfeita?!

Incrivelmente... Perfeita?!

Como é que isto é possível?!

Bato no espelho com toda a minha força, mas, apesar de me doerem os punhos, o espelho continua intacto.

Dou pontapés e nada.

Continua na mesma.

Estarei louca?!

Achar-me-ão louca?!

Como é que isso é possível?!

O que é que eu fiz?

O que me fizeram?

Onde estou?

Porque estou aqui?

O que me querem fazer?

Serei eu uma espécie de humana rara?!

Serei humana?

Que estranho!

Observo bem o espelho e tento perceber alguma imperfeição ou ranhura, mas não encontro nada.

Tento observar melhor o quarto onde me encontro para ver se encontro algo de útil que me possa ajudar a definir o que quer que seja.

Porque é tão difícil compreender o que se passa?

Porque ninguém me explica?

Porque não falam comigo?

Reparo que numa das paredes existe uma ranhura que forma uma porta tão idêntica à da parede que nem me tinha apercebido de que era realmente uma entrada... ou saída.

Ouço paços e vejo um homem.

Entra e tenta dialogar comigo.

Que estranho!

Não o entendo.

Não percebo nada do que me diz.

Tento falar com ele, mas ele limita-se a olhar para mim, a observar-me de alto abaixo. Tenta tocar-me, mas eu impeço-o.

Deveras incomodada, olho para ele de igual modo e, enquanto ele se vai virando, eu viro-me também, de maneira a que ele não consiga observar-me como pretende.

O homem volta a tentar tocar-me e eu revoltada, bato-lhe.

É quando, muito apressadamente, entram outros dois homens que, agarrando-me, me dão uma injecção e as pálpebras dos meus olhos começam a fechar.

Volto a adormecer

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

XVI - Porque estou aqui?

Que se passa comigo?

Que aconteceu?

Onde estou?

Sobressaltada, acordo...

Estava a ter um sonho...

Estava a cair, a cair, a cair...

Por momentos senti o que a Alice no País das Maravilhas[1] sentiu quando caía na toca do coelho...

Que queda mais desconfortável... mais inacabável...

Quero descansar.

Preciso de descansar, de parar de pensar, de parar de sonhar, para poder saber o que fazer... onde te procurar... onde te descobrir, onde te reencontrar...

Onde estás?

Preciso de te encontrar!

Onde estou?

Olho à minha volta e sinto-me completamente perdida e desamparada...

Que me aconteceu?

Relembro os olhos daquela pessoa.

Será que foi ela que me trouxe para aqui?

Mas... aqui onde?

Não reconheço este lugar...

Olho à minha volta e vejo tudo branco.

Estou num quarto de paredes brancas, deitada numa cama.

Tento mexer-me e apercebo-me de que estou...

Amarrada?!

Porquê?!

Quero levantar-me, mas não consigo.

Grito!

Ouço passos lá fora.

Avisto à minha frente uma porta.

Observo uma pequena ranhura a abrir-se.

Estou fechada, algures, num quarto completamente só e mal acompanhada...

Mal acompanhada de mim...

Choro!

Grito: – Tirem-me daquiiiiiiiiiiiiiiiii!

Onde estou?

Porque estou aqui?

Amarrada?!

Vejo por entre a ranhura uns olhos...

São os olhos daquela pessoa.

Quem está aí? – Pergunto. – Porque estou amarrada? O que é que eu fiz?

A porta abre-se e entra a tal pessoa com uma bata branca.

Observa-me em silêncio e traz consigo um tabuleiro de comida.

Aparentemente deve ser hora de almoço ou de jantar.

Onde me encontro não vejo o dia, não vejo a noite, não vejo nada. Só uma luz no tecto que me permite ver a cor destas paredes tão brancas.

Olho para a pessoa e peço-lhe para me explicar o que se passa.

A pessoa olha para mim com piedade, senta-se na cama onde estou deleitada e tenta alimentar-me à boca sem me desprender.

Revoltada cuspo-lhe o alimento exigindo que me responda.

Ela limpa-se e volta a tentar alimentar-me.

Tenho fome, mas o meu orgulho impede-me de me sujeitar a tal desprezo.

Peço-lhe que me liberte e que me deixe comer sozinha, mas ela parece não me dar ouvidos.

Porque não fala comigo?Grito revoltada.

Responda-me!

Sem compreender a reacção da mulher, acalmo-me e obedece-lho.

Após comer, retira-se.

Pensativa, vejo-a partir e trancar a porta.

Ouço os passos dela a afastarem-se.

Revoltada, choro.

Não sei o que fazer.

Estou, sinto-me presa e não há nada que possa, que consiga, fazer.

Antes era tão fácil!

Bastava pensar num lugar e já lá estava, mas agora... agora nada disso acontece.

Porquê?

Estarei viva?

Ter-te-ei tirado a vida, meu Amor?

Será por isso que estou aqui?

Que aconteceu?

Onde estás?

Vem ter comigo!

tu me poderás salvar!

Não tardes, se me amas, por favor!




[1] Lewis Carroll

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

XV Que aconteceu?

Olho à minha volta e apercebo-me de que já não estou no mesmo lugar.
Onde estou?
Reparo também que estou sozinha.
Não estou contigo!
Confusa, procuro-te, mas não te consigo encontrar…
Não sei onde estás nem como te procurar.
Fecho os olhos e imagino onde estarás.
Vejo-te na minha mente e tento ir ao teu encontro.
Vejo-te.
Olho para ti e tento alcançar-te, mas...
Ignoras-me?!
Porquê?!
Como é que isso é possível?
Ignorares-me?!
A mim?!
O teu sonho...
A tua paixão...
O teu amor...
Parece que nem me conheces...
Que aconteceu?
Não entendo e abro os olhos.
Observo o local onde estou e sinto-me estranha.
Vejo à minha frente uma porta.
É a porta do teu quarto.
Entro e vejo-te.
Aproximo-me de ti, mas tu não me vês?!
Deleitado na tua cama, pareces intacto e eu toco-te.
A tua pele está fria.
Arrepio-me e noto que as minhas mãos sentem a tua frieza.
Olho para as tuas pálpebras e, ao abrires os olhos, assusto-me.
Os teus olhos estão negros, vazios e assustadores...
Pareces uma assombração!
Que aconteceu?
Estás estranho e eu estou com medo.
Tento perceber o que tens, mas não consigo.
Sei que não estás morto, mas também não pareces vivo.
Confusa, tento procurar uma razão, mas… Qual?
Não sei o que pensar, o que sentir...
De repente, elevas-te perante mim. Sem me veres, trespassas os meus membros e sais.
Tento seguir-te, mas algo me impede.
Sinto uma grande força a apoderar-se de mim e da minha vontade.
Não consigo seguir-te. Não consigo mexer-me.
Vejo-te trespassar a parede do teu quarto...
Serás tu ou o teu espírito?
Não sei o que vejo.
Desconheço a razão deste facto e não me consigo mexer.
Tento seguir-te, mas...
Não consigo elevar-me...
Não consigo seguir-te nem em pensamento...
Que faço?!
Não sei, mas tenho de encontrar uma solução... imediatamente...
Oh! Meu Deus! Que faço?
Agora que pensei ter conseguido amar e ser amada...
Como é que perdi tudo? Como? Será que perdi mesmo?!
Não sei que faça, que sinta...
Tento seguir-te com todas as minhas forças...
Sinto o meu espírito e desvanecer...
Mas isso não é possível porque eu já morri...
Que me está a acontecer?
Help me God[1]!!!!
[1] Ajuda-me Deus, em Inglês.

Desesperada, corro na direcção de lado nenhum à procura de uma solução...
Corro na tua direcção.
Saio pela porta por onde entrei e tento procurar-te… na parede que trespassaste...
Procuro-te perdida, mas não te encontro...
Procuro-te, completamente desorientada, perdida...
De repente, apercebo-me de olhares curiosos a observarem-me...
Como é que isso é possível?
Esses olhos não são os teus...
Só tu me vias... e agora...
Alguém mais me vê?!
Foi isso que aconteceu de novo em mim?
Já não sou um mero espírito?
Ter-me-ei tornado... humana?!
Isso seria realmente fantástico se te tivesse aqui comigo...
Preciso de ti!!!
Onde estás?
Procuro-te, mas não te encontro...
Amor...
Procuro-te....
Preciso de ti, mas não consigo encontrar-te...
Ainda estarás por aqui?!
Lembro-me do teu rosto à pouco...
Estavas tão pálido...
Terás morrido?!
Ter-te-ei transmitido a parte morta de mim?!
Não...
Não pode ser!
Tenho de te encontrar...
Tenho de te curar deste meu mal...
Tenho de te...
Meu Deus!
O que é que eu fiz?

Perdida em mim e completamente esquecida dos olhos que me observam...
Esses olhos aproximam-se de mim curiosos ao mesmo tempo que receosos de me tocarem...
Que aspecto terei para causar tanto impacto nesses olhos?
A pessoa aproxima-se.
Eu retraio-me.
Toca-me e tenta tapar-me com o seu casaco...
Resisto e quase que lhe bato revoltada, mas não consigo...
Ao tentar movimentar-me, caio.
A pessoa segura-me pelos ombros.
Desmaio...

XIV Como me verás?

Afastando-me muito lentamente de ti, sorrio-te e deixo que me observes como se tratasse de um ser completamente inatingível para ti.
Como te enganas...
Mal tu sabes!
Nunca pensei que me sentiria tão bem ao ser assim observada.
Quando ainda era viva, cada vez que tinha a sensação de que estavam a olhar para mim, logo começava a pensar que ou era a roupa que me ficava mal, ou era por causa do cabelo, ou então, arranjava uma desculpa qualquer e fazia com que realmente parecesse que estariam a olhar para outra pessoa qualquer e não para mim.
Porque é que achava que não poderia ser para mim?
Porque é que acharia que não me apreciariam?
Que não gostariam de estar a olhar para mim?
Que paranóia!
Sempre me achei inferior aos outros e a minha pior fraqueza sempre foi este maldito complexo de inferioridade que sempre pareceu dominar-me à força toda e o pior é que eu deixava, sem qualquer resistência auto-afirmativa e/ou qualitativa.
Chegava a ser ridículo!
Nunca pensei nisso!
Agora...
Hoje...
Neste momento, só me apetece aproveitar este pequeno instante e não deixar-te escapar.
Como me verás?
Serei para ti uma espécie de Deusa?
Como o teu olhar parece assombrar-me e isso faz-me desejar-te fortemente mais e mais e cada vez mais, agora, agora, sempre e para sempre.
Se fosse suficientemente louca para fazer realmente o que me apetece, reaproximava-me, desfilando para ti, só para ti até te enlouquecer. Mas não.
Invés disso, retraio-me e afasto-me, consciente de saber que continuas a olhar-me serenamente apaixonado e desejoso de poderes tocar-me, beijar-me, amar-me...
Como isso me faz sentir, mais do que surpreendentemente viva e poderosa, mulher!
Outra mudança começa a fazer-se sentir em mim.
Como isso me parece saudável e faz-me sentir realmente bem.
Morri espiritualmente em vida e agora o que parece mais vivo em mim é todo o meu espírito.
Sinto-me renascida depois de tanto tempo me sentir morta.
O que é que vou fazer agora?
Pretendo ir ao teu encontro... no seu quarto?
Se fosse viva, esperaria, mas enquanto sou morta quero realmente aproveitar todo o tempo do mundo, como se estivesse a sentir-te escapar-me das minhas mãos...
É de noite.
Caminho sem frio, sem fome, sem sono pelos caminhos que pareço ver à minha frente.
Aparentemente esquecida do tempo e do lugar onde me encontro, paro e como que esquecida no meu silêncio, sento-me no chão frio da estrada e permaneço como que consolada.
Começo a pensar e reflicto sobre tudo aquilo que quero e que não quero.
Assim...
Sem querer resistir...
Sem, sequer, tentar...
Fecho os olhos e imagino-me no teu quarto escuro, já no meio da noite, como tinha prometido a mim mesma, talvez mais do que a ti.
Apareço como que por magia à tua beira.
Vendo-te adormecido e sem te querer assustar, deito-me estendida a teu lado e começo a fazer-te festas, muito de leve, no teu rosto e beijo-te nos lábios, muito suavemente, como da primeira vez.
Como se estivesse a sair de um sonho, retribuis-me ainda adormecido.
Só quando os teus sentidos se começam a aparecer deste calor natural é que abres os olhos e deixando-me aproximar para mais perto de ti.
Abraças-me.
Sinto o meu corpo perto do teu e o teu suor começa a transparecer.
Sentindo-te molhado, não aguentas e levantas-te envergonhado.
Diriges-te à casa de banho e refrescando-te voltas para o teu leito, ao mesmo tempo que receoso, desejoso de passar mais de um sonho.
Qual é o teu espanto, quando realmente me vês, deleitada igualmente suada e desejosa por te tocar, beijar, amar...
Não sabes o que fazer.
Queres deitar-te e deixar-te levar pelos teus instintos sexuais, mas, ao mesmo tempo, achas que não está certo, que ainda não chegou o momento certo.
Mostras incertezas, quando sempre pareceste seguro de ti mesmo em que circunstância fosse.
Tens medo!
Tens medo de não conseguires dominar os teus sentimentos.
Tens medo de gostar de mim e descobrir que não passo de um sonho, de um pesadelo cor-de-rosa!
Tens medo de me perder... de voltar a perder-me.
Sinto o teu medo e tento animar-te.
Levanto-me e ao tentar aproximar-me de ti, ao mesmo tempo que te retrais, não resistes... não consegues resistir e deixas-te levar pelo tremor dos teus lábios que pedem ansiosamente o toque dos meus.
Beijo-te!
Dou-te o beijo molhado já prometido e segura de mim mesma, ajudo-te a deixar-te levar pelos teus instintos naturalmente sem medos, sem receios.
Como que inconscientes, estendidos na cama, fundimos os nossos corpos e permanecemos inconscientes.
Sinto o suor da tua virilidade e levada por um instinto natural deixo-te penetrar em mim desejosa de sentir o auge de toda esta aparente ofegante euforia sexual!
Findo o acto, permanecemos exaustos.
Olhamos um para o outro e sorrimos notavelmente felizes.
Concretizados, mas, exaustivamente cansados, adormecemos abraçados.
Quem nos olhasse assim, diria que parecemos duas crianças ingénuas e sem maldades pendentes.
O pecado natural foi cometido e eu desapareço...
Reencontrada, sinto-me estranhamente morta perante a vida transparecida.
Não entendo!

XIII O que é?

Retrocedo um passo e espero que anoiteça.
Preferiria procurar roupa que me pudesse cobrir, mas estou tão longe de tudo...
O encontro parece tornar-se inevitável.
Viras-te e diriges-te para onde estou, na minha direcção.
Está a começar a escurecer, mas os meus contornos podem-te parecer visíveis.
Vejo-te claramente.
Parece ainda não me teres visto, mas...
Algo se passa.
O que é?
Aproximas-te, mas...
Olhas para mim e ao tentares tocar-me... Desmaias?!
Não entendo e tento levantar-te.
Não sabes o que fazer.
É pesado para este meu cadáver fraco e não sei se hei-de desistir e deixar-te inconsciente ao teu abandono ou tentar carregar-te para lado nenhum.
O meu desejo é deixar-me ficar.
Mas, por outro lado, a minha consciência diz-me que talvez devesse esquecer-te e afastar-me.
Mas... ao parecer, nem a minha própria consciência está segura do que é certo e o meu desejo torna-se mais forte e permaneço a teu lado.
Quero verificar o que te fez desmaiar.
Não entendo e, de forma ingénua, acarinho o teu rosto inerte e tento aquecer as tuas gélidas mãos nas minhas aparentemente calorosas.
Completamente estendido no chão, sinto o teu corpo tremer de frio.
Gostava de te poder cobrir, mas não tenho nada comigo que possa estender-te a não ser este meu desposado corpo.
Se fosse uma situação normal, quem nos visse, nos imaginasse, sequer, assim, diria que eu estaria a sentir muito mais frio que tu, meu Amor, mas parece que o facto de estares a tremer faz com que me sinta mais forte e quente, capaz de me fazer acreditar que tenha o calor suficiente para te acalentar.
Estendo-me a teu lado e, indo baixinho à beira do teu corpo, cobro-to com estes meus pequenos e magros braços.
Talvez devesse acordar-te, mas...
Talvez seja melhor deixar-te acordar naturalmente e dares conta de mim por ti mesmo para não sentires novamente a pressão que sentiste antes de te deixares abater.
Terá sido o susto de me veres?
Ter-te-ei parecido uma aparição ou um fantasma?
Ter-te-ás apercebido da minha platónica existência, de que não passo de um corpo desprovido de matéria corporal e cheio de sentidos apenas espirituais?
Como saber?
Deleitada a teu lado, olho para o céu e vejo as estrelas a brilhar no interior de toda esta escuridão que nos envolve, nos rodeia.
Começo a sentir o chão frio e volto a olhar para o homem que tenho estendido a meu lado, tu.
Virada para ti, volto a tocar os contornos deste teu rosto como se estivesse a desenhá-lo.
Desejava ter sido eu a responsável pela existência deste ser.
É como se tivesse a sensação de querer ter criado esculpido, moldado, modelado uma obra de arte e tu seres essa mesma escultura dotada de volume e forma única, sensualmente humana.
É como se tratasse da última obra que sobrasse de um número infinito de imagens reproduzidas por um só Deus e que jamais voltará a encontrar-se outra igual.
É assim que me sinto relativamente a este amor tão profundo e puro.
És o meu tesouro e receio perder-te.
Quero guardar-te para todo o sempre com a certeza de realmente te possuir, ao querer doar-te a quem mo mereça.

Quase sem querer, deixo cair, sobre ti, uma lágrima.
Estou a chorar?!
Porquê?
É como se receasse queimar-te com a dor das minhas lágrimas.
É como se receasse magoar-te.
Esquecida de mim, sinto-me maravilhada pelo que estou a sentir.
Parece que nunca me senti tão viva nem desejada.
Sinto que desejas que eu seja quem realmente sou.
Não precisas de abrir os olhos para me aperceber disso.
Consigo sentir isso só pelo teu silêncio.
Que palavras tão vagas esconderás tu, no mais profundo de ti, do teu ser, do silêncio do teu sofrido coração?
É o que pretendo descobrir e quem sabe se não o farei, se não o descobrirei ainda esta noite.
Enquanto te acarinho o rosto, abres muito lentamente os olhos e como quem ainda não deu conta de si, pestanejas com a incerteza de estares a ver bem.
Assustado, levantas-te com destreza e, quase sem conseguires acreditar no que vês, olhas-me veramente estonteante.
Como conseguires acreditar que tens, que vês, à tua frente a mulher que mais amas, eu, além de, aparentemente viva, completamente nua só para ti?!
E tu ainda sem o saberes realmente.
Eu, ao contrário de ti, levantei-me muito calmamente e, ao tentar aproximar-me para te acalmar, tu retrais-te desconfiado.
Pressinto-te receio e isso faz-me temer-te.
Sei que tentarás afastar-me da tua vida e isso assusta-me.
Quero chamar-te à atenção e clarificar-te as coisas.
Mas como fazer-te acreditar que realmente existo sim, mas que agora só para ti sem te assustar?
Que o que tu vês aparenta ser carne, mas que não passo de um espírito dotado de sentidos semelhantes a um humano?
Como contar-te toda a verdade?
Não sei, mas vou fazê-lo.
Ups! Mas tu não podes, não consegues ouvir-me.
A minha voz...
A minha voz continua muda aos teus ouvidos.

Estico uma mão, enquanto tento explicar-te o que se passa comigo.
Peço-te que me deixes tocar os teus lábios, mas impedes-me pegando-me na mão.
Sinto o toque e isso parece assustar-te ainda mais.
Receias realmente desejar-me ainda mais assim, vendo-me tão vulnerável e tão ingenuamente provocante.
Os teus sentidos começam a alterar-se e a tua virilidade começa a querer tomar conta de ti.
Pedes-me que me afaste, mas eu mostro-te ouvidos moucos e sussurro-te que te vou procurar quando já estiveres perdido nos teus sonhos no meio da noite, no teu quarto completamente escuro.
Vou querer-te possuir e tomar-te como meu único e verdadeiro pertencente.
Vou domar-te e querer-te até tu não puderes mais.
Vou tornar-me mais selvagem que perigosa, mais do que jamais alguma vez fui em toda a minha Vida!
Ter-me-ás ouvido?
Provavelmente não, mas ter-me-ás certamente compreendido.
Sem querer que te restem dúvidas, aproximo-me e alcançando-te a boca com os meus lábios, beijo-te tão de leve quase como que inconsciente de realmente estar a fazê-lo.
Só te toco os lábios.
Mas como esta tua boca me pede mais!
Mal abro os olhos ainda tu estás à espera, desejoso que te dê um beijo molhado.
Não o faço.
Quero dar-te a esperança, mas dou-te a incerteza do surgimento de novas oportunidades.
Sei que não vou partir e quero dar-te a certeza de que vou voltar, que existo só para ti!
Pena que ainda não tenhas percebido isso.
Terás medo e, cada vez mais, vais sentir a minha falta.
Sinto segurança na tua fraqueza e isso assusta-te, enquanto que a mim me fortalece ainda mais, cada vez mais e mais...

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Euzinha, desenhada por um amigo :D



Adivinham quem sou hihi! Obrigada Rui por me teres desenhado. Beijinhos...

Quinta-feira, Julho 27, 2006


Mig no Jacuzzi natural de Vila Soeiro... Existirá algo melhor que isto? :D

Mig envergonhado? Nah...! :D

Mais uma vez, Li e Mig nas nossas figuras um pouco menos tristes :D

Esta foto é dedicada ao meu melhor amigo, Mig, nós, nas nossas figuras mais tristes :D